Reunião entre Bolsonaro e empresários revela abismo brasileiro

Reunião de Bolsonaro com o “PIB” (empresários) revela a tragédia brasileira

Bolsonaro jantou com empresários na quarta-feira, 08 de abril. Houve algum ruído em torno de convites desfeitos. Circula a informação que o digníssimo “senhor Havan” foi desconvidado. Muitos também criticaram a escolha dos nomes, apontando que são apoiadores do governo, sendo razão principal de estarem na reunião. Mesmo com tais considerações, causa espanto que a quase totalidade dos empresários ali presentes são oriundos do setor de serviços. Com exceção de Ricardo Faria (Avicultura), estamos falando de bancos, hospitais e empresas de comunicação. A essa altura você já deve está se perguntando.

E o setor produtivo?

E a indústria?

O Brasil já estava evoluindo em seu processo de desindustrialização ao longo das “gestões petucanas”. Entretanto, o pacto da plutocracia nacional em torno da “ponte para o futuro” — pavimento ao retorno do neoliberalismo à moda noventista — reconfigurou a “burguesia nacional”. Parte da “burguesia industrial” representada pela construção civil foi escanteada pela Lava Jato. Em seu lugar, o setor financeiro e de serviços passam a representar a quase totalidade da vida privada nacional. No caso dos setor de varejo, estamos falando de grandes redes. Os pequenos estão sendo dizimados. Os  grandes conseguem tabelar lucros às custas de vantagens obtidas na reforma trabalhista mesmo diante do terrível quadro econômico.

Vejam os nomes dos ilustres convidados:

André Esteves (BTG)–> Banco;

Candido Pinheiro (Hapvida) –> Plano de Saúde;

Luiz Carlos Trabuco (Bradesco) –> Banco;

Carlos Sanchez (EMS) –> Farmacêutica ;

Alberto Saraiva (Habib’s) –> Alimentação;

Flavio Rocha (Guararapes) –> Varejo;

João Camargo (grupo Alpha de comunicação) –>  Comunicação;

João Carlos Saad (Band) –> Comunicação;

Alberto Leite (F5 Securities) –> Soluções digitais;

Claudio Lottenberg (Hospital Albert Einstein) –> Hospital;

Ricardo Faria (Granja Faria) –> Avicultura;

Tutinha Carvalho (Jovem Pan) –> Comunicação;

José Roberto Maciel (SBT) –> Comunicação;

Washington Cinel –> Serviço de Segurança.

É essa reconfiguração da “burguesia nacional” que impulsionou esse seleto grupo a aplaudir Bolsonaro em duas circunstâncias.

Na primeira, quando disse que seu casamento com Guedes seria permanente.

Na segunda, quando disse que manteria o teto dos gastos públicos.

E a pandemia?

A pandemia, amigos de luta…

A pandemia que caiba nesse teto.

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