Três inflexões históricas em que o PT virou as costas ao Brasil

Alguns eventos históricos foram cruciais para a formação do Brasil moderno. Tratam-se da: primeira eleição pós ditadura; a aprovação da constituição de 1988; impeachment do primeiro presidente eleito por voto direto; implantação do plano real. O PT fez oposição à todos esses passos tomados pelo país.

1. PT votou contra o texto final da Constituição de 1988

Não bastou ao PT orientar seus deputados a se absterem nas eleições presidenciais indiretas de 1985. Disputavam o grande Tancredo Neves – PMDB e Paulo Maluf – PDS.  Inconformado com as eleições indiretas, Lula orientou sua tropa para se absterem do processo. Isso mesmo. O mesmo partido que critica a decisão de Ciro Gomes de não subir em seu palanque no pleito de 2018, absteve-se das eleições responsáveis por fundar a Nova República. Detalhe, Ciro, assim como os seus, votaram em Haddad. Na data, três congressistas foram expulsos do partido por contrariarem a orientação partidária votando em Tancredo Neves. São Bete Mendes, José Eudes e Airton Soares.

“Pelo amor de Deus, não entrem nessa (eleição indireta). É eleição direta, direta e ponto”. Lula.

Já em 1988, o PT votou contra a redação final do texto constitucional. Aqui há uma tentativa de desvirtuar os factos históricos. Isso porque apesar do PT ter votado contra a “carta cidadã”, seus deputados a assinaram como rito legal. Mais uma vez, Lula estava inconformado com a não inclusão de alguns interesses dos trabalhadores:

“Importante na política é que tenhamos espaço de liberdade para ser contra ou a favor. E o Partido dos Trabalhadores, por entender que a democracia é algo importante – ela foi conquistada na rua, ela foi conquistada nas lutas travadas pela sociedade brasileira – vem aqui dizer que vai votar contra esse texto, exatamente porque entende que, mesmo havendo avanços, a essência do poder, a essência da propriedade privada, a essência do poder dos militares continua intacta nesta Constituição”. Lula.

O PT entregou projetos tanto de Constituição quanto de regimento interno no momento da instalação da Constituinte . Na data, contava com apenas 16 deputados, número ínfimo frente dos 306 do PMDB. Já na posição de Presidente, Lula chegou a afirmar:

“Se o nosso regimento e a nossa Constituição fossem aprovados, certamente o país seria ingovernável, porque nós éramos muito duros na queda, muito exigentes. Como um partido de oposição que nunca havia chegado ao poder, tínhamos soluções mágicas para todas as mazelas do país. Talvez não nos déssemos conta de que, em um prazo tão curto de tempo, poderíamos chegar ao governo”.

Chegaram. E chegando, não conduziram, sequer, uma reforma tributária para minimizar uma das concentrações de renda mais brutais do planeta.

2. Posse de Itamar

O PT se engajou ativamente na aprovação e na condução da cpi responsável por investigar os esquemas de corrupção de Paulo César Farias e do ex-presidente Collor. A cpi foi lastro para massivas manifestações, assim como, o ambiente favorável ao impeachment. O PT também apoiou movimentos de massa e comícios pela queda de Collor. A consequência natural da requisição de Barbosa Lima Sobrinho, presidente da ABI, e Marcelo Lavènere Machado, presidente da OAB, para a abertura, no Congresso, de processo de impeachment, era a posse do vice, Itamar Franco. Na véspera da posse, Lula ligou para Itamar para informar que o PT iria para oposição. Itamar chegou a considerar a possibilidade de não assumir a cadeira presidencial frente o posicionamento de Lula. O momento era crítico e de altíssima instabilidade. Atores entraram em cena para pacificar. O PT, mesmo sendo convidado a participar do governo, fez forte oposição à Itamar, pressionando até com ameaças de cpi. Na presidência, Lula também declarou que se arrepende dessa postura histórica.

3. Plano Real

Estelionato. Era o termo com que Lula adjetivava o Plano Real. Com as eleições vindouras em mente, o líder do PT rotulou a solução econômica do Brasil como uma estratégia eleitoral de curta duração. O PT votou contra as medidas provisórias que normalizaram a nova moeda brasileira. São famosas algumas declarações de Lula:

“Esse plano de estabilização não tem nenhuma novidade em relação aos anteriores. Suas medidas refletem as orientações do FMI. O fato é que os trabalhadores terão perdas salariais de no mínimo 30%. Ainda não há clima, hoje, para uma greve geral, mas, quando os trabalhadores perceberem que estão perdendo com o plano, aí sim haverá condições” (O Estado de S. Paulo, 15 de janeiro de 1994).

É sabido que houve uma deturpação a partir da concepção inicial. A pretexto da manutenção da estabilidade monetária, praticou-se altas taxas de juros e uma política cambial insustentável. São críticas que podem e devem ser feitas ao Real; entretanto, tais causas surgiram posteriormente. Ademais, apesar das curvas de gestão, o Real se estabeleceu como solução para os cíclicos processos inflacionários pelos quais atravessava o Brasil.

Conclusão

É intuitivo imaginar uma realidade paralela em que as posições do PT prevaleceriam. Como seria o Brasil? Um Brasil em que Tancredo Neves não tivesse sido eleito. Um Brasil sem a constituição de 1988. Um Brasil sem a presidência de Itamar Franco. Um Brasil sem Real. Soa irresponsável algo dessa natureza, correto? Décadas depois, PT se arrependeu formalmente das três irresponsabilidades.

Para terminar é conveniente indagar: não foi irresponsável entregar a presidência à Jair Bolsonaro? Como assim, autor? Explico-te, leitor. Ficou famosa a análise de um quadro histórico do PT:

“PT deve deixar o país sangrar com Bolsonaro, voltar em um ambiente com menos rejeição e se viabilizar como opção dos eleitores”.

E aí, eleitor? A bola está contigo.

A história é demolidora e sempre ilumina a dúvida da paixão.

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