O declínio do império “Americano” e a veloz ascensão da China

O declínio do império “Americano”

Duas imagens carregadas de simbolismo rodaram o mundo recentemente. A primeira foi uma resposta do Presidente Putin à Joe Biden, seu homólogo estadunidense. Em reportagem à rede de televisão ABS News, Biden afirmou que Putin era um assassino e que pagaria um preço por supostas interferências em pleitos eleitorais dos Estados Unidos – EUA. Putin lhe respondeu com firmeza. Sua resposta seguiu a argumentação sintetizada na ideia “vemos no outro aquilo que verdadeiramente somos”. 

A segunda imagem foi a reunião com políticos do alto escalão dos governos da China e EUA ocorrida no Alasca. Na abertura do encontro, o Secretário de Estados dos EUA Antony Blinken manifestou “profundas preocupações com as ações da China, incluindo em Xinjiang, Hong Kong, Taiwan, ataques cibernéticos nos Estados Unidos, coerção econômica contra aliados”. Percebam a semelhança com as falas direcionadas à Rússia. A Rússia tem enfrentado seríssimas resistências para a concretização do gasoduto Nord Stream 2 que levará seu gás à Alemanha através do mar Báltico.  A resposta da China à fala do estadunidense foi firme. O chefe da diplomacia do Partido Comunista Chinês, Yang Jiechi, exigiu que os Estados Unidos “parem de levar sua democracia ao resto do mundo”, alegando que “não iriam aceitar acusações injustificadas”. Ainda completou que os EUA têm uma “longa história de problemas no campo dos direitos humanos”.

Vejam as imagens:

Cenas do encontro entre diplomatas chineses e estadunidenses e a fala de Putin sobre Biden.

Os factos apontam a inescapável superioridade da China e o deslocamento do eixo gravitacional econômico/político para a Ásia. Em 2020 a China já detinha 124 companhias entre as 500 de maior faturamento no mundo; superando os EUA que detinham 121 empresas da lista. Em termos de “Paridade de Poder de Compra”, a economia chinesa já superou a estadunidense. O que torna mais flagrante a inflexão histórica do momento é a tendência de crescimento e sofisticação apresentada pela economia chinesa; enquanto sua homóloga estadunidense segue aos solavancos, especialmente após as medidas “liberalizantes” aplicadas ao longo dos anos oitenta. A transição não será oferecida. Será conquistada. É o que se extrai da recente mudança de tom do corpo burocrático chinês. Não se aceitará interferências em seus assuntos internos. Nem imposição de medidas unilaterais.

O tempo do imperialismo parece estar chegando ao fim. Não há dúvidas que a China seguirá liderando a transição. Que continue adotando a visão confuciana de homem público e de respeitabilidade entre povos. Brasil poderia se beneficiar enormemente desse momento através de pesados investimentos em infraestrutura acompanhados de transferências tecnológicas. Irã, mesmo sob duras sanções, acordou investimentos na ordem de  US$400 bilhões em áreas como telecomunicações, portos, ferrovias, saúde e tecnologia da informação. Em troca, garantirá exportações de petróleo à preços preferenciais. Diferente do que ocorria entre Estados Unidos e suas “neocolônias”, o crescimento da China pode representar políticas de ganhos recíprocos/ganha-ganha. O Brasil deve aproveitar os ventos da história para implantar sua estratégia de desenvolvimento. Isso, claro, quando decidir por uma.

Total
0
Shares
Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Posts Relacionados
Total
0
Share