Foto de perfil de Ciro Gomes.

Notícias falsas e invisibilidade são desafios de Ciro Gomes

A notícia de que um o colunista do site InfoMoney Felippe Hermes estava impulsionando matérias negativas sobre Ciro Gomes através do seu site Spotniks é reveladora. Um sintoma de algo usual no debate político nacional.

O impulsionamento de notícias falsas ou negativas precisa ser combatido com vigor. Em 2018 os disparos automatizados de WhatsApp associados ao uso de “bots” nas demais redes sociais foram a regra. Os inquéritos para investigar os ilícitos ajuizados junto ao STE e STF estão adormecidos e é provável que por lá pereçam.

O Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio através do projeto Pegabot aponta em relatório que 1 em cada 4 postagens de convocação para as manifestações da tropa bolsonarista do dia 7 de setembro é feita por perfis automatizados. Quem paga a conta dessas ações ainda é um mistério. O “modus operandi” seguirá o mesmo enquanto os órgãos de fiscalização não apontarem e punirem os culpados. Como falta pouco mais de um ano para o próximo pleito é provável que não aconteça. Registra-se que ações ilegais dessa natureza não são exclusivas da malta bolsonarista. PT também coordenou pagamento de influenciadores digitais e disparos em massa na campanha eleitoral de 2018.

C. Gomes tem sido alvo frequente de notícias falsas ou manipulação de falas. A de que C. Gomes não teria votado em 2018; que teria empresas de caminhão pipa; que seu nome estaria em lista de empreiteiras; montagens esdrúxulas de áudios com “líder de facção”, são apenas alguns exemplos.

Mais grave que as “fakenews” é o crônico processo de invisibilização na imprensa corporativa que enfrenta C. Gomes. Trata-se da única candidatura com concretas chances de vitória a sofrer deste fenômeno. A razão é que os grandes meios de comunicação no Brasil são controlados por poucas mãos. Formam um dos oligopólios mais concentrados do planeta. Completando o cenário, em um país com o nível de financeirização crescente, o oligopólio da imprensa reflete o dos bancos. O ticket para entrar na telinha é o tripé macro econômico — câmbio flutuante, metas de inflação e o superávit primário — sob a manutenção da regressividade tributária; condicionantes das vias de transferência de renda no Brasil.

Não há desenvolvimento possível condicionado ao conteúdo deste ticket. É razão pela qual C. Gomes, mesmo tendo ótimo potencial de votos, jamais foi considerado uma opção na chamada terceira via. Uma terceira via a Bolsonaro e Lula precisa ter o ticket em mãos. Apareceram Eduardo Leite, Dória, Huck, Moro… Outros aparecerão. C. Gomes não é opção. Essa é a razão para tanto Bolsonaro quanto Lula terem declarado contrariedade à taxação de dividendos. Também é o sentido da estratégia de Lula soltar pérolas como “deixarei C. Gomes falando sozinho” ou “quando um não quer dois não brigam”.

O que Lula não quer é expor que guarda ticket no bolso. Lula também participa, agora como beneficiado direto, do pacto pela invisibilidade da candidatura de C. Gomes. E usa estratégia para isso. Trabalha o adjetivo “briga” como sinonímia para “debate”. Em uma só tacada fortalece o espantalho de C. Gomes como “destemperado” e esconde seu comprometimento com o pacto de transferência de renda implantado no país.

Não faz muito tempo um famoso analista de significativa inserção na grande mídia, averso tanto a Bolsonaro quanto Lula, afirmara com contundência que faltava no Brasil candidaturas combativas e com profundo conhecimento de país. Também afirmara que a oposição estava morta. Enquanto as palavras eram emitidas, C. Gomes estava próximo de 10% de intenções de voto junto a um trabalho de militância aguerrido e incessante. Exato exemplo do esforço de invisibilidade aqui retratado!

A esperança é que se vive tempos outros. As redes sociais não cobram ticket de entrada. Possuem apenas regras. Daí advém a centralidade do TSE e STF para resguardar aqueles que as cumprem e punir os que as descumprem.

Que a frase de Rui Barbosa repetida por C. Gomes deixe de fazer sentido nas eleições de 2022:

“O Judiciário é o poder que mais tem faltado à República”.

 

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