Mudanças globais e a falta de legitimidade dos países centrais

Mudanças climáticas e a falta de legitimidade dos países centrais

Um poder de barganha jamais experimentado pela periferia do capitalismo. Um poder de barganha que remete a continuidade de nossa civilização nesse planeta.

O nível de degradação ambiental pelo qual atravessa o planeta é alarmante. É consenso entre a comunidade científica que o metabolismo social vem acumulando importantes danos ao ambiente. Com exceção, claro, de alguns céticos e negacionistas.

1. Fragmentação florestal;

2. Perda de biodiversidade;

3. Introdução de espécies exóticas;

4. Poluição de corpos d’água.

São fenômenos que colocam em risco a provisão de serviços ambientais — como recarga de aquíferos e abastecimento hídrico — com consequências diretas ao sistema de produção dos países. Entretanto, o melhor indicador ambiental para medir o efeito ao planeta do sistema produtivo de nossa civilização é o CO2. Devido ao efeito multiplicador e o caracter sistémico que a alteração da temperatura do planeta possui, são as emissões desse gás que melhor sinalizam a direção, amistosa ou não ao planta, pela qual se desenvolvem as nações. A saída dos Estados Unidos do acordo de Paris sob o governo Trump, a postura do governo Bolsonaro com a dimensão ambiental da gestão pública e os recorrentes discursos da ativista Greta Thunberg trouxeram, mais uma vez, esta pauta à ordem do dia. Arroubos neocoloniais como as declarações do presidente francês Emmanuel Macron também fortaleceram os questionamentos sobre quem teria a legitimidade em conduzir as discussões no âmbito multilateral. De uma forma geral, os países em desenvolvimento são cobrados e se posicionam defensivamente nas discussões multilaterais. Isso porque, em sua maioria, possuem um sistema produtivo ainda de baixo nível de sofisticação e sofreriam bastante por uma adequação à normas estabelecidas internacionalmente. A Alemanha já vem modernizando toda seu sistema de geração de energia. Algo impensável para a maioria dos países posicionados na periferia do capitalismo mundial. Mas qual seria o retrato atual dos países em relação as emissões de CO2?

Com o gráfico é flagrante constatar que países relativamente pequenos como o Japão, emitem quantidades de CO2 equivalentes à continentes inteiros, a exemplo da América Latina. É didática a contribição dos Estados Unidos e Europa. Também salta aos olhos o aumento das emissões da China diante de seu vestiginoso crescimento.

Entretanto, quando analisamos as emissões per capita, ou seja, quando colocamos o peso da população, percebe-se  a abissal diferença entre as emissões dos países centrais e periféricos, incluindo a China. Mesmo que a América Latina e África interrompessem a emissão de carbono, as ameaças do aquecimento global se manteriam frente a realidade dos demais países.

Diante dos dados, cabem as perguntas:Quem deve liderar as cobranças multilaterais para a diminuição das emissões?

Quem deve financiar o processo de uma eventual transição?

Quem deve pagar para manter estoques e sumidouros de Carbono em países tropicais?

A dialética deve ser pautada em dados. Os dados apontam para os legítimos líderes desse processo.

Com a visão, inverte-se os posicionamentos hoje estabelecidos e enquadram-se àquelas nações centrais que hoje enquadram as periféricas. Estadistas e políticas de estado são necessários para que esta realidade se concretize.

Um poder de barganha jamais experimentado pela periferia do capitalismo.

Um poder de barganha que remete a continuidade de nossa civilização no planeta.

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