Deputado Jean Wyllys cospe em Bolsonaro.

Menos pautas identitárias? Partidos encaram a realidade social brasileira.

O que já era realidade desde a década 80 nos Estados Unidos e demais países centrais alcança o Brasil. São os efeitos da hegemonia das pautas identitárias. Também muito presentes entre as décadas de 50 e 70. Período em que as discussões eram conduzidas de forma inclusiva e generosa. Igualdade e cidadania eram cortadas por interesses de classe. Autores como Mark Lilla e Asad Haider deram contribuições importantes ao debate.

Na década de 80 houve uma modificação importante na abordagem. Sumiram com o caráter de classe. Fortaleceu-se a afirmação das diferenças junto ao respeito às singularidades. A mudança de perspectiva gerou intensa desagregação e confronto entre visões antagônicas. Especialmente àquelas vindas do campo conservador.

Não se pode ignorar as consequências do neoliberalismo e seus sucessivos estelionatos. Tampouco, deve-se perder de vista a forma como operadores políticos têm conduzido o debate público.

Bolsonaro emergiu da posição que ocupava antagonizando e explorando temas identitários.

Era apenas um personagem de pouca expressão do baixo clero. Contava com uma pequena, porém estável parcela de votos advindas de interesses corporativos.

Enquanto a sociedade se tornava crescentemente evangélica, setores da “esquerda” radicalizavam a afirmação das diferenças e peculiaridades de grupos sociais.

Bolsonaro radicalizava na outra ponta.

Como não lembrar as discussões entre Bolsonaro e Jean Wyllys?

Em uma famosa entrevista ao jornalista Pedro Bial, Jean Wyllys admite que serviu de escada para Bolsonaro.

O mais lamentável é que a mesma conversa é arrematada com uma negação a qualquer tipo de arrependimento.

É nesse cenário e diante das experiências recentes que partidos de “esquerda” — especialmente o PT — traçam novas estratégias para o pleito de 2022.

Lideranças petistas demonstram a intenção de neutralizar a discussão de costumes e redirecionar a centralidade das propostas à demandas econômicas e sociais. Apesar de esconderem como pretendem governar o país em caso de vitória; como evidenciou o Financial Times. A razão passa pela ausência de formulação para enfrentar os graves problemas nacionais.

Já há uma compreensão de que o abandono dos mesmos evangélicos que deram a maioria dos votos à Lula em 2002 e 2006 se deve há equívocos discursivos e de conexão popular.

Jaques Wagner recentemente disse, “Nossa obrigação é respeitar os direitos de todos, o que não significa que estejamos patrocinando qualquer tipo de comportamento”.

PSOL vem se estabelecendo como o partido que mais representa a pulverização de lutas identitárias. A agremiação tem se destacado em pleitos proporcionais com importantes vitórias de representantes de grupos sociais. Por razões óbvias, defender pautas de determinados interesses é fórmula de sucesso aos cargos proporcionais e duvidosa aos cargos majoritários.

PT quer entrar na briga com o PSOL. Invoca o pragmatismo mais irresponsável invertendo, aos pretendentes de cargos proporcionais, a orientação que oferece às eleições majoritárias. A razão é a recomposição de seus deputados e o fundo eleitoral. Assim, busca avançar no terreno em que o PSOL já havia se estabelecido.

Turbinará postulantes associados aos direitos das mulheres, negros, comunidades tradicionais e pessoas LGBTQIA+. É nessa esteira que Jean Willys e outros quadros do PSOL foram assediados pela cúpula petista. Após avançar sobre o PCdoB, PT mira o PSOL!

Não houve uma reavaliação e compreensão estratégica sobre o tema mesmo diante do desastre que significou a eleição de Bolsonaro. Conduzem apenas uma alteração pragmática diante das pesquisas de opinião aos pleitos majoritários.

PT sinaliza que se omitirá da questões identitárias na esfera das eleições majoritárias por lhe faltar uma correta compreensão. Qual seja, a inclusão da questão nacional e da massa laboral. Cola fundamental de coesão das sociedades. Ao tempo que reforçará a mesma fórmula que pariu Bolsonaro nos pleitos proporcionais.

A aposta na afirmação da diferença sem o corte de classe estimula confrontos entre a população. Importante registrar que Bolsonaro é filho do congresso nacional. Local onde o PT pretende mais uma vez centralizar e impulsionar este debate sob a mesma lógica.

Certa feita Lula disse, “O PT é o único partido político que existe. O resto é sigla de interesses eleitorais”.

A história tem revelado que a firmação se tratou da mais pura projeção.

Interesses eleitorais compõem a única motivação do PT de Lula.

O Brasil não faz parte desse jogo.

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