Foto de Bolsonaro e Lula em preto e branco.

Lula reproduz estratégia adotada por Bolsonaro em 2018

As razões que levaram Bolsonaro ao poder podem ser analisadas por ângulos diversos.

Operação Lava Jato e outros setores do judiciário jogaram um papel central na instrumentalização e “novelização” dos escândalos de corrupção; sob o beneplácito da mídia corporativa e participação estadunidense.

Toda a classe política sofreu os reflexos da inescusável tentativa de sua criminalização. Mesmo com a clara perseguição ao partido que ocupava o poder central.

Também não é possível ignorar a guerra híbrida que o país estava submetido. Hoje é sabido que Brasil foi objeto tanto de espionagem como de operações de rede. Esse caldo intragável foi temperado com uma mudança brutal da conjuntura econômica internacional que resultou em drástica queda das commodities.

PT não foi capaz de impedir sua derrocada após o grave estelionato eleitoral praticado. Escondeu os impactos das mudanças conjunturais e protelou medidas antipopulares para o pós eleição. O povo se sentiu traído com as políticas contracionistas de Levy ao tempo que via seu poder de compra derreter.

Joaquim Levy porque Paulo Guedes declinou. Registre-se!

Foi dessa mistura que emergiu a “antipolítica”. O imã para os movimentos de renovação, “outsiders”, militares e elementos como Bolsonaro.

Deve-se registrar os antagonismos nas chamadas “pautas de costumes” que serviram como alavanca ao aumento da popularidade do personagem que ora governa esta República.

Vestiu a capa de renovação mesmo tendo sido deputado sete vezes e passado por partidos como o PP, PSC e PSL. Bolsonaro só precisava manter sua popularidade e contar com a estrutura clandestina de disparos em redes sociais orientada por articuladores como Steve Bannon.

A única via que poderia atrapalhar os planos seria a demonstração de sua fragilidade em debates. Não havia projeto. Bolsonaro não significava renovação; nasceu do mesmo local que criticava. Não era preparado. A facada selou o trágico destino brasileiro.

Há uns dias uma notícia internacional ganhou destaque na mídia tupiniquim.

Deu no Financial Times, “Lula mantêm mistério sobre a políticas no caminho de volta no Brasil”. Para o jornal “o relativo silêncio de Lula sobre programa de governo vem tendo o efeito de manter o foco na administração malfeita da pandemia e na retórica antidemocrática de Bolsonaro”.

Lula mantém elevadas intenções de voto no momento. É um nome conhecido dos brasileiros por já ter ocupado a presidência por dois mandatos.

Como é possível o candidato que lidera as pesquisas manter silêncio sobre seu projeto de governo? Se é que existe projeto… Estupefaciente! Bolsonaro nunca teve, ou sequer, cogitou.

Como Bolsonaro, Lula evita debater o Brasil. Não pode descortinar suas fragilidades. Bastou emitir uma opinião sobre “taxação de grandes fortunas” para seu engajamento nas redes despencar; como mostrou a AP Exata após recente declaração. O mesmo ocorreu quando opinou sobre Cuba.

Bolsonaro escamoteava sua longa e velha história no baixo clero do congresso. Já Lula não pode lembrar que governou ao lado de pessoas como Geddel Vieira Lima e demais personagens que ora achacam Bolsonaro pelo controle do “orçamento secreto”. Exatamente o mesmo caminho para barrar CPIs escolhido por gestões petistas.

Tanto Bolsonaro quanto Lula adotam uma postura demagógica apequenando o debate público. Remetem-se ao retorno de um passado inventado. Bolsonaro criava sua realidade para o período militar. Enquanto Lula é imaginativo ao descrever o Brasil de seus dois mandatos.

Truísmos para problemas hipercomplexos preenchem os discursos. Bolsonaro focava em corrupção afirmando que iria mudar “tudo que está aí”. Lula se debruça no açúcar social — dicas do Consenso de Washington. Há que distribuir dinheiro para o povo comprar sua picanha e cerveja, costuma dizer o petista.

Não é a intenção do autor supor que os presidenciáveis se encontram em uma enviesada ferradura de espectros políticos. Não!

Trata-se de demonstrar que ambos se encontram em demagogia e tática.

Resta saber como Lula lidará com a evolução do cenário. Bolsonaro escapou do debate em decorrência da famigerada facada.

O acaso possibilitou a manutenção da furtiva estratégia.

Já o petista terá que lidar com duas situações irremovíveis.

A primeira é derretimento de Bolsonaro.

Adversário predileto.

A segunda é Ciro Gomes; personalidade mais preparada do cenário político contemporâneo.

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