França diz que Amazônia não pertence somente aos brasileiros

Discussões sobre a soberania da Amazônia não são recentes. O esforço em ocupar o aquele território sempre foi motivado por temores de desrespeito a soberania e aos limites territoriais do país. Essa foi a principal razão do avanço desenvolvimentista impetrado pelo regime militar. Reserva de água doce e incalculável valor guardado em sua biodiversidade, a floresta sempre despertou interesses e preocupações internacionais.

Recentemente, os movimentos mundiais para o controle de emissões de CO2 para reverter o ritmo de aquecimento global colocaram a hileia brasileira em primeiro plano. O avanço do desmatamento e uma gestão ambiental niilista é o pretexto perfeito ao jogo demagógico sobre o tema. As queimadas, garimpos, grilagens e o tráfico de madeira são de interesse eminentemente nacional e não devem estar sobre escrutínio internacional.

Por que?

A razão é singela. Não há dúvidas que a natureza não obedece fronteiras. Não há dúvidas que o aquecimento do planeta é um fenômeno de interesse multilateral. Que correntes marítimas e os ventos alísios atravessam latitudes e longitudes sem obedecer limites geopolíticos. Entretanto, trata-se de algo tão factual quanto a dinâmica econômica global. Países centrais, espalham ativos na forma de indústrias no mundo periférico inteiro.

Os lucros obtidos na periferia são remetidos por fibras óticas às suas matrizes. Entretanto, não é o que acontece com o cômputo do passivo ambiental. Querem de facto conversar sobre meio ambiente?

O mote foi a recente declaração do ministro do Comércio Exterior da França aos senadores de seu país. Frank Riester afirmou que o governo não ratificará o acordo comercial entre Mercosul e EU. Fez uma denuncia da irresponsabilidade ambiental do governo Bolsonaro e arrematou: a Amazônia não é apenas dos Brasileiros. Sei… Que preocupação ambiental do tal “macronismo”, heim?

É assim que nos chegam as notícias, senhores. Entretanto, dias antes, a mídia também noticiou que o governo francês passou a defender o “patriotismo nutricional” frente o aumento da importação de alimentos. O ministro da Agricultura do país, Julien Denormandie, mandou essa:  um frango brasileiro ou ucraniano não é a mesma coisa que um frango francês.

Perceberam?

Ao malversar o próprio território, a “corja bolsonarista” apenas alimenta ilegítimos arroubos imperialistas; com carácter demagógico, por camuflar interesses puramente protecionistas. Bolsonaro, maquiado de “nacionalista”, apenas distribui mercados às potências estrangeiras. Mercados antes ocupados pelo Brasil.

Temos que concordar com Frank Riester. A Amazônia não é só brasileira. Também pertence ao Suriname, Guiana, Venezuela, Colômbia, Equador, Peru, Bolívia e Guiana Francesa. Sendo o último, território francês. Irônico, não?

Total
0
Shares
Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Posts Relacionados
Total
0
Share