Ciro vs Lula é uma inflexão histórica: finda o neoliberalismo

Ciro versus Lula será uma inflexão histórica

O jornalista Reinaldo Azevedo perguntou a Ciro se a elegibilidade de Lula o ajudaria. Ciro respondeu que se sentiria mal caso não ganhasse do “melhor candidato”; leia-se “o mais competitivo“. A restituição dos direitos políticos de Lula deve ser muito celebrada. Não somente pelo simbolismo da persona Lula mas pela derrota infligida à tudo que a Lava Jato representa. É facto que veio tarde. Com sabor de anistia. Isso porque só chegou após o pacote ter sido entregue àqueles interesses alheios aos nacionais. Setor de indústria pesada foi completamente devastado. Brasil sofreu uma reorientação geopolítica radical no cenário internacional. Sem falar na reconfiguração da plutocracia em torno da “ponte para o futuro”. Entretanto, poderia ter sido pior. Imaginem Moro e asseclas posando de paladinos imaculados do “punitivismo” com pretensões à 2022. Imaginaram? Pois é.

O enorme adversário da disputa continua sendo a ignorância. Novamente tentarão polarizar o cenário dividindo a população pela negação de seus contrários. Desenha-se uma interdição do debate ainda mais grave daquela dos idos de 2018. Lá, ao menos, tínhamos uma pulverização de propostas no primeiro turno. Basta lembrar que Bolsonaro cresceu durante a campanha e após a fatídica facada. Antes, apostava-se em Alckmin. Caso uma segunda via — no sentido de marco de economia política — não se estabeleça, as discussões se resumirão à “espuma da história”. Palavras do velho Brizola. Nesse sentido, será muito relevante a separação dos campos em disputa. Práticas pretéritas serão questionadas para a compreensão de projetos futuros.

À Lula serão feitas perguntas como:

Por que durante quatorze anos de gestões petistas…

  1. foram praticadas taxas de juros estratosféricas?
  2. manteve-se intocável a estrutura tributária mais regressiva do planeta?
  3. aprofundou-se o oligopólio de bancos?
  4. a participação da indústria no PIB caiu de 18% para 12%?
  5. a população carcerária praticamente triplicou?
  6. não se discutiu a propriedade de meios de comunicação de forma a se democratizar o debate econômico, político e cultural no Brasil?

Por fim, para fechar dez das importantes questões, quais as razões do país ter sido devolvido com… 7. depressão de 7% do PIB? 8. inflação de 10,5%? 9. desemprego de quase 12%? 10. taxa de juros de 14,25%?

Isso para não entrarmos nas coalizões e operações “pouco republicanas” para a formação de maiorias políticas.  O ciclo “petucano” se fechou porque o modelo se esgotou. A aposta do PT não responde às mudanças do tempo. Ademais, a conjuntura internacional inviabiliza qualquer tentativa de implantação de um “nacional-consumismo 2.0”; o que se extrai dos recorrentes discursos de lideranças petistas.

O povo teve memória com os tucanos. O PSDB jamais voltou a ganhar uma eleição majoritária depois da debacle das gestões de Fernando Henrique Cardoso. As evidências apontam que também terá com o “lulopetismo”. Os brasileiros são isonômicos. Julgarão da forma equânime sua sujeição ao mesmo marco de economia política. O açúcar social não deve pesar nesse julgamento. A eleição vindoura servirá para reposicionar a “produção”, o “trabalho” e os valores nacionais ao protagonismo do cenário político brasileiro.

Uma oportunidade para que os ventos soprem a espuma e retomem o fio da história.

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