Foto de Ciro Gomes e Lula conversando em preto e branco.

Ciro Gomes ofereceu o Diálogo Nacional ao povo brasileiro

Nesse pequeno relato será resgatado um documento carregado de simbolismo chamado “Diálogo Nacional”. Antes é necessário demonstrar sua importância para o atual momento brasileiro.

Não são palavras que definem e caracterizam um homem público. Ao contrário. Em média, o que costumam falar os igualam. Constata-se pela pasteurização de discursos em véspera de eleições. Não há candidato que não cite educação, segurança pública e a tal sustentabilidade. Para focar apenas em poucos tópicos. Retomando…

O que define uma personalidade pública é a prática. Tanto ações públicas quanto de bastidores. Arranjos e operações que rolam por detrás das câmeras para o alcance de finalidades específicas. Todo brasileiro que acompanha de perto o desenrolar dos acontecimentos políticos deve manter os olhos abertos nas entrelinhas e nos bastidores. Auxilia a melhor interpretação e entendimento das maiorias políticas e coalizões de forças.

É chover no molhado que a ausência de debates e espaço de discussões é um dos principais problemas da conscientização política nacional. Agentes políticos situacionistas são blindados para que questionamentos centrais ao desenvolvimento nacional não sejam realizados. Alguns eventos históricos protegem este argumento.

Fernando Henrique Cardoso se ausentou de debates nas eleições de 1998. Surfando na popularidade de um ciclo consumista insustentável, negou-se a debater temas nevrálgicos tanto com candidatos concorrentes, quanto com a sociedade brasileira. Naquele momento, Lula e Ciro, respectivos segundo e terceiro colocados nas pesquisas, deram as mãos pela necessidade desse princípio basilar à qualquer democracia ocidental. O debate.

Ciro e Lula se encontrariam novamente nas eleições de 2002. Em uma clara iniciativa de convergência — o que hoje se denominaria “frente ampla” ou “busca de unidade” — Ciro propôs à Lula um conjunto de encaminhamentos expressos em um documento. Era o “Diálogo Nacional”. Corria o ano de 1999. Consistia, palavras de Ciro, na responsabilidade comum em interromper o itinerário de tragédias sociais, econômicas e políticas. Sem desconsiderar as significativas diferenças entre visões de mundo de ambos.

O método passaria pela convocação da sociedade civil em seminários temáticos e regionais para a formulação de um programa comum. Vejam, amigos. Em prol da unidade. Palavra que hoje se tornou mágica.

A história é mesmo demolidora!

A escolha do candidato que sairia desse caldo de debates de altíssimo engajamento e participação popular se daria através de eleições primárias. Após o encontro, o mesmo Lula que reivindicou debates nas eleições de 1998, engavetou o documento e nunca mais voltou ao assunto com Ciro.

A prioridade de Lula era o Brasil ou o poder?

Não restam dúvidas que o… Poder!

Para que não se perca o fio dos acontecimentos é fundamental rememorar que Lula aderiu a outro documento em 2002 . Esse documento se chamava “Carta ao Povo Brasileiro” e entrou para a história como “Carta aos Banqueiros”. Nele, Lula e seu partido se comprometiam com a manutenção de contratos e a estrutura que possibilitou a transferência de R$4,08 trilhões aos bancos. Enquanto os pobres se contentaram com R$322 bilhões. Foram tais compromissos os impulsionadores de enorme concentração financeira em que 5 instituições transacionavam 85% das movimentações do país.

As diferenças entre a proposta de “Diálogo Nacional” e a “Carta ao Povo Brasileiro” refletem as diferenças entre Ciro e Lula.

Lula repete a mesmíssima tática na quadra histórica atual para surpresa de… Ninguém!

Posta-se como candidato mas evita a todo custo discutir programas e antagonizar com quaisquer adversários que não seja Bolsonaro. Viola, uma vez mais, o direito da sociedade em discutir os seus próprios problemas.

Já existe um temor de que possa haver um acordo tácito entre Bolsonaro e Lula para que essa estratégia seja mantida até os estertores das próximas eleições.

As poucas declarações de Lula sobre programa se resumem a truísmos. Outras, são por demais reveladoras. Como a crítica à taxação de grandes fortunas. Desde já, compromissos explícitos com a manutenção das bases que nos trouxeram à esta desesperadora realidade.

A mídia corporativa no Brasil é uma das mais oligopolizadas no planeta. Este oligopólio invisibiliza quaisquer iniciativas de discussões mais profundas sobre os problemas estruturais que freiam o desenvolvimento nacional e nos condenam à condição de nação periférica.

Como se não bastasse, a realidade “presenteia” os brasileiros com duas personalidades políticas que lideram as pesquisas e adotam estratégias furtivas à quaisquer discussões.

Mesmíssimo caminho adotado por FHC nas eleições de 1998. De facto, as diferenças práticas entre as gestões petistas e tucanas nunca existiram. Trata-se do petucanismo.

O povo brasileiro assistirá mais um pleito nacional sem passar a limpo seus problemas estruturais?

Esse seria o sonho de Bolsonaro e Lula.

Há que lutar para que não se realize!

 

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