Ciro Gomes, Tancredo Neves e o resgate da legítima conciliação

Ciro Gomes, Tancredo Neves e a legítima conciliação

Tancredo Neves participou de alguns dos mais relevantes processos históricos da vida política brasileira. Alinhou-se à Getúlio Vargas contra Washington Luiz em 1930; foi Ministro da Justiça de Getúlio lidando com a crise caudatária do atentado da Rua Tonelero e os arroubos golpistas do período; mesmo com a solução do parlamentarismo, foi ativo em garantir a posse de João Goulart em 1961, sendo escolhido primeiro ministro do Brasil. Posicionou-se contra o golpe de 1964, não ratificando Castelo Branco como primeiro presidente militar, associando-se ao MDB, partido de oposição ao regime. Elegeu-se senador e governador por Minas Gerais. Na encruzilhada de 1983 representada pela Emenda Dante de Oliveira, apoiou a campanha pelas diretas; mesmo sabendo que as eleições indiretas lhe daria vantagem sobre seu adversário Ulysses Guimarães. Nas eleições indiretas de 1985, formou consenso, recrutando José Sarney como vice e conquistando votos do PDS, partido do regime. A tática foi vencedora e Tancredo derrotou Paulo Maluf.

É importante trazer a persona de Tancredo em mais um momento de inflexão histórica pela qual atravessa a nação. Demandará muita habilidade atrair as forças não alinhadas ao petismo e ao bolsonarismo. Somente juntas, podem formar maioria política concreta e capaz de se sobrepor aos polos já estabelecidos. A tarefa não é fácil diante dos grupos por demais heterogêneas a serem aglutinados. O caminho é o convencimento via experiências internacionais comparadas. Foram o trabalho, a produção e a coordenação de Estado, somadas à iniciativa privada, os motores das nações mais desenvolvidas do planeta. Até Washington já se deu conta que seu consenso foi sepultado; sobrevivendo somente no Brasil, ironicamente, como elemento pacificador da polarização que se luta para suplantar. O país precisa caminhar. Tanto em 1985 como em 2022 será o centro a avenida por onde empurraremos esse colosso.

Certa feita, Tancredo Neves disse:

“O governo ideal para o Brasil seria aquele que pudesse CONCILIAR o sentido da renovação social de Vargas com o sentido de desenvolvimento econômico de Juscelino Kubitschek. Acho que esses grandes líderes se completavam. O Getúlio antecipou Juscelino e o Juscelino só foi possível porque teve antes dele Getúlio Vargas”.

É fundamental que a tática política para agregação da forças de centro espelhe a melhor tradição de Tancredo Neves. Por sobre os ombros dos homens e mulheres de Estado deve pesar o sentido e a responsabilidade da legítima CONCILIAÇÃO que fizeram desse país uma nação.

Total
0
Shares
Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Posts Relacionados
Total
0
Share