Ciro acerta ao criticar Lula

Ciro acerta ao criticar Lula

Foram muitas as críticas direcionadas à postura de Ciro com o “lulopetismo” em sua última entrevista. Para alguns, Ciro deveria voltar aos canhões contra Bolsonaro, ao invés de Lula e sua máquina partidária. A lógica seria que o desgaste de Bolsonaro, potencializado pela oposição, o tiraria do segundo turno, sendo esse o momento adequado para o embate entre os projetos.  Em três tópicos estão o resumo das razões pelas quais Ciro está no caminho correto e deve fortalecer as críticas como porta-voz de toda uma corrente política:

1. O lulopetismo está poupando Bolsonaro de uma forma flagrante. Interlocutores afirmaram o que a realidade confirma; que Lula se preocupa com o nível de desgaste de Bolsonaro diante da exposição causada pela CPI. Foi manchete de uma coluna do Ricardo Noblat: Lula volta a São Paulo preocupado com a fraqueza de Bolsonaro. Nada distinto do já conhecido cálculo de Lula e Zé Dirceu que se enraizou por toda a orientação partidária: o país deveria sangrar com Bolsonaro, permitindo o retorno do PT em um ambiente de menor rejeição, o que os viabilizariam como opção. Lula jamais pautou o impeachment de Bolsonaro sob o pretexto que não há tempo para fazer o debate.

E é Ciro quem deve criticar?

Não obstante, desde o primeiro dia da atual gestão, Ciro tem sido implacável com Bolsonaro. O PDT lançou o Observatório Trabalhista. Inédita iniciativa para fazer uma análise detalhada dos rumos do governo nas mais diversas dimensões e lastrear uma oposição propositiva. Ademais, as críticas direcionadas ao “lulopetismo” não inviabilizam aquelas feitas ao “bolsonarismo”. Não são excludentes, ao contrário, reforçam-se.

2. Reforçam-se porque no plano macroeconômico, Guedes tem dado continuidade a equívocos de concepção que se arrastam há pelo menos 25 anos. Claro que se trata de um neoliberalismo aloprado, sem o açúcar social receitado pelo Consenso de Washington. Açúcar encampado pelo “lulopetismo”. Mas as ideias macroeconômicas são as mesmas que geraram um dos processos mais acentuados de desindustrialização da atualidade. Um monopólio do sistema financeiro sem paralelo. Além uma tributação regressiva responsável pela configuração de uma desigualdade brutal. Ao criticar Bolsonaro também se critica Lula. Saberia dizer há quanto tempo Lula não faz uma crítica ao teto dos gastos públicos? Pois é. Trata-se de desenvolvimentismo versus neoliberalismo. Repita-se, desenvolvimentismo versus neoliberalismo!

3.  O que está em disputa é muito maior que uma eleição. O que Ciro passou a representar com seu ingresso ao PDT foi o ressurgimento de uma corrente política que traduz os métodos pelos quais todas as nações de êxito civilizatório se desenvolveram. O projeto nacional de desenvolvimento é uma ideia concepcionista de nação que hoje já conquistou uma legião de colaboradores. Requer persistência. Não se constrói em apenas uma gestão. São necessárias novas lideranças que se sucedam no tempo. Ao criticar o neoliberalismo, hoje personificados em Bolsonaro e Lula, denuncia-se um pensamento que trouxe, no concreto, a falência do Brasil. Defende-se um novo pensamento encampado por jovens independentes de transitórias amarras. Da crítica se afirma a alternativa de algo maior, melhor e viável. Além da responsabilidade com as eleições, Ciro carrega uma responsabilidade histórica de guiar a chama da questão nacional, cerne da defesa dos interesses dessa Ilha de Vera Cruz.

Os asseclas do “lulopetismo” se alarmaram com as justas críticas proferidas por Ciro. Melhor se prepararem. Algo me diz que vem chumbo grosso por aí.

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