A "esquerda" se portou como agência de marketing para Bolsonaro

Bolsonaro dá lição de comunicação

É consensual entre os mais críticos analistas que a emergência de Bolsonaro ocorreu devido sua pauta moral. A dimensão econômica de suas propostas só ficou clara após a convocação e integração de Paulo Guedes aos quadros de sua campanha. Até lá, vendia-se a imagem do atual presidente como um “nacionalista”. Aqui, com uma ajudinha do campo progressista, que sempre o comparou aos líderes do nacional populismo. Apesar de populista, a agenda entreguista de Bolsonaro passa longe de nacionalista. Mesmo que guarde a caricata aversão à imigrantes. Bolsonaro, pela comparação com líderes como Trump, deve agradecer aos publicitários do campo progressista que trabalharam de forma voluntária em sua promoção. A comparação continua. Como se Bolsonaro fosse um Trump Tropical e seguisse o mote Brazil First. Associar Bolsonaro ao nacional populismo é uma imbecilidade digna do comparado. A associação, como se não bastasse, ainda demoniza a palavra “nacionalista”, na qual se enquadram gigantes da história política brasileira. Fiquemos apenas com Getúlio Vargas para não alongarmos a discussão. Mas todos repercutem. Nos Estados Unidos Bolsonaro disse: “queremos os Estados Unidos grande e um Brasil grande também”. Bolsonaro estabelece o rumo de sua própria definição política. Isso não é incrível?

Também já foi discutido no Blog o papel da ausência de projeto da coligação que hegemonizou o campo da esquerda; assim como, o preenchimento de seu vazio pelas lutas identitárias. O vácuo deixado pelos interesses coletivos foi substituído pelas pautas que Bolsonaro interpreta de forma didática, simples e na mão de muitos dogmas históricos estabelecidos no país. Por que pagar fortunas às agências publicitárias se Bolsonaro contou com Jean Wyllys e PSOL na constante promoção de seu nome? A cada declaração, a mídia alternativa, em sua luta incessante por cliques, reproduzia exponencialmente o alcance e engajamento em torno de suas pautas. Seis meses antes do pleito eleitoral, o autor ouviu do administrador de uma página de orientação progressista do Facebook, com número de seguidores mais que significativo, que precisavam fazer postagens envolvendo Bolsonaro. Do contrário, o engajamento do espaço despencava. As mensagens chegavam até aos que não faziam parte da comunidade “bolsonarista”. Graças, mais uma vez, aos publicitários do campo progressista. Mas o que deveria ter sido feito? Bem, aprendamos com Bolsonaro e sua turma. Chegou até o Blog, via canal progressista, uma mensagem da rede “bolsonarista” que está muito além de didática:

Ignorem e não propaguem os protestos dos adversários. É exatamente essa a postura que Bolsonaro e sua equipe vêm adotando junto a seu exército de lunáticos. Não assistimos Bolsonaro repercutindo atos contra a Ditadura Militar. Apegam-se a suas verdades e assim vão hegemonizando a narrativa diante dos seus. Claro, com o auxílio dos cordiais voluntários do nosso campo. Exatamente o que deveríamos ter feito na campanha. Tanto mais um campo político que possui a hegemonia moral e intelectual. Campo que tem compromisso com o povo brasileiro. Infelizmente, há sempre quem se beneficie da crítica reativa, mal planejada e pouco estratégica. Muitos destes também foram eleitos. Solução? Construamos um projeto popular para não repetirmos o erro. Para ao invés de focarmos em frases soltas de outro improvável candidato à presidência, chamarmos a sociedade para a discussão de um projeto de país amplo e popular. Bolsonaro continua usando a mesma estratégia. O objetivo passou a ser o diversionismo para obnubilar a absoluta inação de seu governo. Para isso, mais uma vez, conta conosco. Cabe-nos pautarmos o debate ou continuarmos nos deixando pautar.

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