Dilma ignorou recados vindos de Putin e inteligência russa

Aqui é uma democracia, teria dito Dilma à Putin

Reportagem publicada pelo jornal francês Le Monde escancarou a relação entre a operação Lava Jato com o Departamento de Justiça, de Estado e FBI. O periódico resgata inflexões dos governos estadunidenses  já em 2007 que resultaram na derrocada da Presidente Dilma Rousseff, prisão de Lula, debacle das construtoras nacionais e a reorientação geopolítica do país. A fachada foi o “projeto Pontes” que treinou agentes públicos brasileiros em algumas diretrizes: 1. Criação de grupos de trabalho anticorrupção, 2. Sistema de recompensas via delação e 3. Compartilhamento de informações fora dos canais oficiais. Já em 2012, iniciou-se a pressão pela adoção de jurisprudências mais punitivas como a flexibilização de provas em casos de corrupção. Entretanto, a lei anticorrupção foi aprovada somente em 2013, acompanhada da adoção de mecanismos com padrões estadunidenses. A lei foi sancionada em 2013 tendo entrado em vigor em 2014, ano de criação da Lava Jato. Em 2013 também foi o ano das fatídicas manifestações e que Edward Snowden divulgou provas de que a PETROBRAS estava sendo espionada pela NSA. Hoje, com parte dos diálogos divulgados pelo Intercept e demais fontes correlatas, tem-se a dimensão da instrumentalização política pela qual foi conduzida a operação. Não há dúvidas que todo o processo serviu aos interesses internacionais e reconfigurou a orientação geopolítica do país. A indústria pesada brasileira, do Petróleo à construção civil, foram rebaixadas à insignificância frente ao que eram.  Milhares de empregos foram dizimados junto com o pouco de soberania que havíamos alimentado.

       Os diálogos do Intercept vieram a público com muito impacto, entretanto, outros remanescem desconhecidos do grande público. Quem está à par dos bastidores da política sabe que Erdogan e Putin tentaram alertar a Presidente Dilma sobre a avalanche que se desenhava contra o Brasil. Putin, assim como seu colega turco, ligaram para a Presidente. Erdogan mandou essa:

“O mesmo jogo está sendo jogado no Brasil. Os símbolos são os mesmos, Twitter, Facebook, são os mesmos, a mídia internacional é a mesma. Os protestos estão sendo levados ao mesmo centro” e “Eles estão fazendo o máximo possível para conseguir no Brasil o que não conseguiram aqui. É o mesmo jogo, a mesma armadilha, o mesmo objetivo”.

Também é conhecido que Dilma contestou o alerta de Putin de forma arrogante. “O Brasil é uma democracia”, teria dito a Presidente. Uma resposta carregada de crítica a uma nação que naquele momento era uma parceira estratégica face os acordos e investimentos multilaterais associados aos BRICS.

Brasil acertou na concepção conjunta e desenvolvimento dos BRICS, nos investimentos na cadeia produtiva de óleo e gás, assim como nos ensaios à importantes projetos na direção da formação de uma força dissuasória, como o PROSUB. São caminhos que precisam ser inexoravelmente retomados. Entretanto, um país que deseja exercer sua soberania deve estar preparado para os desafios da realidade concreta impostos pela geopolítica internacional. Há quem diga que Dilma caiu pelos acertos e não pelos seus erros. Besteira! Sua queda representa seu “error maximus”.

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