Ciro provoca Haddad: convida-me para jantar ou me esquece

Antes que o jantar seja servido…

Hoje foram veiculadas declarações tanto do líder do PDT, Ciro Gomes, quanto o líder do PT, Fernando Haddad. Haddad está em Nova York para o lançamento de uma coalizão de caráter progressista idealizada por Bernie Sanders e pelo ex-ministro das Finanças da Grécia Yanis Varoufakis. Até lá, Haddad se dedica a debater o Brasil em universidades americanas. Trataremos aqui da fala ocorrida na Universidade Columbia. Já Ciro concedeu uma longa entrevista  ao jornal Valor Econômico. Muito do que vinha sendo dito por ambos foi repetido. As análises e críticas sobre o futuro governo, assim como o reforço das próprias narrativas sobre o desenrolar do processo eleitoral. Ciro reiterou que, até o momento, o Brasil não corre risco de ruptura democrática com a vitória de Bolsonaro. Afirmou que a lua de mel com os eleitores, típica de governos recém empossados, não durará mais de seis meses devido, especialmente aos atropelos econômicos. Já Haddad fez um resgate da trajetória econômica e política brasileira desde dos anos 90. Nada do que não havia sido dito antes.
De novidades, Ciro reiterou seu descontentamento com os “acordões” conduzidos pelo PT e deu detalhes sobre a barreira imposta pelo Presidente Lula para que a Presidente Dilma não mudasse seu endereço eleitoral para o Ceará, preservando, desta forma, a candidatura de Eunício Oliveira.
“Vou te contar uma que as pessoas não sabem. Nós, pelas tantas, na habilidade extraordinária do meu irmão Cid, resolvemos convidar a Dilma para ser senadora pelo Ceará. Fizemos pesquisa, tínhamos boa condição, ela é bem-querida no Ceará. Nós sempre divulgamos o que ela nos ajudou a fazer e tal. O Cid com 80 e a Dilma com 60 [% das intenções de voto]. Ela topou, nós alugamos uma casa, para ela poder fisicamente transferir o domicílio e não ter contestação. O jato que o nosso partido pagou foi buscá-la e ela não apareceu. No dia seguinte, me liga o Fernando Pimentel [PT], governador de Minas. E pede para falar comigo urgente. Aí eu vou a Minas falar com o Pimentel e ele me diz: “O Lula me ligou impondo a candidatura da Dilma a senadora, tá desfazendo a minha aliança inteira aqui. Desse jeito eu vou perder a eleição”. Ou seja, enterrou o Pimentel, tirou a Dilma de uma aliança feita onde estava eleita, para forçar a mão pelo Eunício”.
Mais uma informação de como as decisões do PT vem sendo tomadas e as graves consequências para o país. Não sei vocês, mas fico estupefato com tais informações. Ao ser questionado sobre a provável candidatura em 2022, Ciro cita que foi lançado pelo PDT, não vetou, mas que é muito cedo para tratar do assunto. Entretanto, vai continuar na luta como já vinha fazendo. Não falou dessa vez, mas está muito interessado na mobilização da juventude e na formação  de novos quadros.
Já Haddad deixou escapar algumas nuances. A declaração que mais repercutiu foi:
“Você não pode ficar torcendo para um governo dar errado para você ganhar o poder. A melhor coisa do mundo é você ganhar de quem está indo bem, porque mostra que você ganhar de quem está indo bem, porque mostra que você foi melhor na sua mensagem”.
Esta fala tangencia uma mudança de postura sobre as características que historicamente definiram a oposição “selvagem” do PT. Pode sinalizar uma tentativa de esvaziar uma das justificativas para a formação de um bloco de oposição sem o PT. A chamada oposição sistemática e não propositiva. Especialmente, depois da conversa que Fernando Haddad travou com o Presidente do PSB Carlos Siqueira, em que tentou ganhar a neutralidade do partido sobre esta questão. Ou, vai saber, um ato falho de quem vem ouvindo com cuidado as falas de Ciro. Imediatamente após a fala, Haddad afirma “…se der errado, é possível que o PT possa ganhar uma eleição”. Aí Haddad deixa transparecer os planos do partido e sua natureza hegemônica. O PT tem planos para retomar a presidência da república em 2022. Planos estabelecidos antes mesmo dos resultados deste ano serem digeridos. Como disse Ciro, é muito cedo para pensarmos em 2022. Mas pelos ventos de 2018, a velhota “história” tende a se repetir. Ciro Gomes finalizou sua entrevista demonstrando incredulidade ao perceber que é citado sistematicamente por Haddad em suas falas e o provocou com duas alternativas. Ou me esquece ou me convida para jantar. A primeira opção é improvável. Quanto a segunda, caso Lula não esteja no cardápio, ganha o Brasil.

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