A ausência do PT nas manifestações é coerente com sua história

As penas orquestradas pelo PT seguidas de sua militância digital lideraram uma campanha barulhenta contra as manifestações desse dia 12 de setembro. A razão oficial é que o protagonismo da organização coube ao “MBL” e ao movimento “Vem pra Rua”; duas organizações que trabalharam em prol do golpe contra Dilma Rousseff.

Se esse fosse o motivo real Gleisi não teria se juntado a um “super pedido de impeachment” com  Kim e Joice no final de junho. Lula não estaria rodando o país conversando com “golpistas.

Aliás, as alianças do PT sempre foram bastante amplas e moralmente questionáveis. Moralmente questionáveis porque a união de diferentes na vida pública ocorre em favor de objetivos comuns. Os objetivos comuns, via de regra, passam por reformas estruturantes. No caso do PT, como não houve reformas em suas gestões, os acordos se deram para barrar CPIs.

Já as manifestações são apenas um acordo em torno de um uníssono grito: “Fora Bolsonaro”! Nada mais. Não há loteamento de estatais, ministérios e propina.

Contrários acrescentaram como motivo que no início da idealização do ato houve a  divulgação da chamada “Nem Lula nem Bolsonaro”. Os organizadores retiraram esta pauta e focaram apenas no impeachment de Bolsonaro em seguida. Foi uma manifestação de reivindicação única. Não foi suficiente! PT, PSOL e CUT não se somaram à fotografia. Já PDT, PSB, PSDB, PV, REDE, CIDADANIA, PCdoB, e várias centrais sindicais marcaram presença.

Há quem afirme ainda que as manifestações serviriam para o MBL e Vem Pra Rua se restabelecerem no cenário nacional. Ora, as ruas estão sempre em disputa. Já existem novas manifestações marcadas para o dia 02 de outubro. Ademais, não há disputa sobre as pautas em tela. Fora Bolsonaro! Salvem a democracia!

A justificativa oficial cai por terra diante da campanha orquestrada contra o ato. O PT não somente se ausentou das manifestações. O que seria compreensível diante do slogan inicial que excluía seu candidato; certamente um constrangimento.  O busílis foi o PT acabar por defender a livre manifestação em nota oficial. Com direito a saudação a convergência de demandas. Enquanto no escuro comandou forte campanha com o objetivo de esvaziar as manifestações. Uma clara ação de sabotagem. Clandestina! Covarde! E é a partir daqui que se extrai a real razão de sua ausência.

Tuíte do Deputado Orlando Silva

Tratou-se de uma manifestação onde não seria possível sua instrumentalização em favor de interesses partidários. A pauta foi única e hermética. Impeachment de Bolsonaro! É chover no molhado afirmar que a demanda não é desejada por Lula. Ademais, o ambiente é favorável ao surgimento de condições objetivas em favor de uma frente ampla alternativa à polarização. Essa possibilidade é motivo de pânico entre os integrantes do PT. Sabem que as chances de Lula diminuem dramaticamente neste cenário. A principal estratégia de petistas e aliados é o confinamento do debate. E é este cenário que querem perpetuar até outubro de 2022.

O Brasil atravessa uma inflexão histórica. E não é novidade o comportamento isolacionista e pouco agregador adotado pelo PT em situações como essa. Já escrevemos detalhadamente sobre o assunto. Para citar alguns exemplos: 1. PT orientou seus deputados a se absterem nas eleições presidenciais indiretas de 1985; 2. PT votou contra o texto final da Constituição de 1988; 3. O momento era crítico e de altíssima instabilidade. Lula ligou para Itamar para informar que o PT iria para oposição; 4. Real. Estelionato. Era o termo com que Lula adjetivava o Plano.

Orlando Silva fala dos posicionamentos históricos do PCdoB em tuíte..

A história é demolidora e demonstra como atores agiram de forma oportunista, desagregadora, isolacionista e com interesses puramente eleitorais nas mais graves crises desta sofrida República. E a mesma história também revela como a sociedade avança quando o centro político se une em torno de pactos nacionais.

 

Isso significa que o PT não seja importante e tenha contribuído com a sociedade brasileira?

Absolutamente não!

PT é um partido relevante — “noves fora” seus pecados de origem —capaz de se conectar e mobilizar o povo brasileiro de uma forma única durante sua trajetória. O que precisa é de oxigênio.

Chama atenção como algo comum atravessa os anos desse partido. Sua máxima liderança. A hegemonia interna de seu líder transpassa o partido na direção de se impor às forças comprometidas com o país. Que a hegemonia de Lula na esfera interna do PT leve o partido à “ruína histórica” é um problema particular. Tentar impor essa trajetória ao Brasil passa a ser um problema de todos.

Não acontecerá!

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  1. Concordo. A princípio está certo. Ocorre que o problema está mais embaixo. O PT, por não ser um partido marxista-leninista, não combate a social-democracia. Não é um partido revolucionário. portanto serve ao capital. Servindo ao capital , alia-se com ele. Seria de se esperar que fosse pra rua com o MBL. Nao foi. Nao quer dizer que no futuro nao faça aliancas mais ao centro , como o MDB-DEM. É justo querer governar. Mas a qualquer preço, esta errado. Isto que eu acho.

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